Iniciativas de Sucesso coleta seletiva pelo Brasil


Exemplos de Coleta Seletiva no Brasil

Londrina

A cidade de Londrina, no Paraná, se destaca como exemplo na gestão eficiente dos materiais recicláveis, com a implantação da coleta seletiva na cidade desde 1996 e a inclusão de catadores no programa municipal em 2001.
Em 1996, Londrina já contava com a realização de coleta seletiva pela cidade. No entanto, a inclusão de catadores no processo se deu apenas em 2001, integrados pelo programa municipal. Os catadores do aterro da cidade foram incentivados pelo governo municipal a se estruturarem em associações, de forma a sustentar um sistema de coleta e triagem melhor definido, de forma coletiva.

Dessa forma, a cidade foi setorizada e distribuída entre as associações, a fim de organizar o sistema de coleta e inclusão social para o trabalho. Funcionários da prefeitura acompanharam a transição dos catadores, além de auxiliarem na abordagem com a população quanto à coleta seletiva, sua importância ambiental e social, durante dois meses. Com essa alteração, logo no segundo semestre de 2001 já houve uma ampliação na oferta do serviço de coleta seletiva em 20 mil residências (de 30 mil para 50 mil, representando mais de 35% do total do município).
Em 2002, com o objetivo principal de aumentar o poder de controle e negociação no preço de venda dos materiais recicláveis, os membros das associações fundaram uma nova associação, a Central de Pesagem e Vendas – CEPEVE, que se tornou articuladora na comercialização conjunta dos materiais. Após dois anos de trabalho contínuo de abordagens e acompanhamentos da rotina da cidade, as associações conseguiram estabelecer vínculo entre a população e as equipes de recicladores e, com isso, a cultura de separação dos materiais recicláveis e a confiança quanto ao destino final desses materiais. Com esse sistema, o processo vem evoluindo ao longo dos anos, apresentando sempre novas conquistas.

 

Custo da coleta seletiva – Londrina catadores x BH empresa privada                                Quantidade de resíduos coletada BH x Londrina

 

 

 

 

 

 

Itaúna – MG

Para atender a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada em 2010, e com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população, o município de Itaúna desenvolve diversas políticas públicas relacionadas à questão dos resíduos sólidos urbanos.


Em 1999 foi criada a COOPERT – Cooperativa de Reciclagem e Trabalho de Itaúna, MG. Em 2002, após várias tentativas de implantação da coleta seletiva, foi criado o modelo de separação seco e molhado, que é realizado porta a porta em dias alternados em regiões adensadas e cobre 100% da área urbana e rural. O diferencial é que a separação resíduo seco e molhado é feita pelo morador, em sua casa – a vantagem é que não se mistura o resíduo orgânico do resíduo reciclável. Com isso, ele chega limpo para a triagem e tem um valor de mercado melhor.
Desde 2013 o reciclável passou a ser recolhido pelos cooperados. O contato direto entre eles e a população, na hora da coleta, é fundamental para a sensibilização e estimula a separação correta dos resíduos pelos munícipes. Com essa aproximação os resultados melhoraram muito, pois a confiança de que os resíduos serão realmente reaproveitados é bem maior do que quando a prefeitura realizava a coleta.
O governo municipal também realiza diversas campanhas com a população para orientar sobre procedimentos corretos na separação do lixo seco e molhado e para resolver problemas localizados como a colocação de lixo nas caçambas, disposição incorreta de lixo nas estradas rurais e programas específicos como o Recolhimento de Móveis e Utensílios Inservíveis, dentre outros.
As campanhas de conscientização conseguiram triplicar a coleta dos materiais recicláveis pela cooperativa. Um novo galpão para a triagem dos resíduos está sendo construído no aterro sanitário para que o número de catadores da Coopert e a seleção de materiais possam crescer a partir de 2015. Atualmente, a cooperativa utiliza um galpão dentro da cidade.
Para o Aterro Sanitário são levados os resíduos molhados e os que não são reaproveitados pela Coopert na reciclagem. Atualmente Itaúna ocupa o posto da cidade que tem um dos maiores índices de aproveitamento de resíduos do Brasil e da América Latina, o que aumenta muito a vida útil do aterro (23% de todo o lixo coletado no município é comercializado, a média brasileira é de 1%).

Cronograma da implantação:

1999: Criação da Cooperativa de Reciclagem e Trabalho de Itaúna, MG – COOPERT que começou seus trabalhos fazendo o recolhimento dos materiais recicláveis nos bairros mais nobres.

2002: Foi criado o modelo de separação seco e molhado, que é realizado duas vezes por semana em regiões adensadas e cobre 100% da área urbana e rural. A separação do resíduo seco e molhado é feita pelo morador, em sua casa. O recolhimento é feito porta-a-porta em dias alternados.

2012: Itaúna e mais 45 municípios da região metropolitana de Belo Horizonte assinaram convênio com o estado de Minas Gerais para dar início à gestão compartilhada dos serviços de transporte, tratamento e disposição final de resíduos sólidos urbanos, almejando a criação de uma futura PPP, na qual a empresa parceira se responsabilizará pelos investimentos nesses serviços, enquanto os municípios realizam a coleta domiciliar, devendo cumprir metas de coleta seletiva e destinação dos recicláveis às organizações de catadores.

2013: foi implantado o atual modelo de coleta (divisão norte e sul da cidade, em dias alternados), a COOPERT foi contratada e campanhas de conscientização conseguiram triplicar a coleta dos materiais recicláveis pela cooperativa. Os catadores da Coopert ganharam quatro caminhões do governo federal, por meio do programa Cataforte.

Alguns Resultados:


– O índice de reciclagem do lixo seco recolhido de Itaúna é o maior do Brasil e está entre os maiores do mundo;

– 2014: 1.850 toneladas de resíduos recolhidos sendo 550 toneladas recolhidas pela COOPERT;

– 23% do total gerado de material reciclável é comercializado pela COOPERT;

– Os cooperados, cerca de 86, têm uma média salarial de R$ 3.200,00 por mês;

– Segundo a prefeitura, 70% da população separa efetivamente o lixo. No restante do país, a média de participação não chega a 50%;

– Os benefícios são inúmeros tais como: geração de emprego e renda; diminuição do impacto ambiental; cidadania; inclusão social; responsabilidade da população separando seus resíduos colaborando para a preservação da vida, dentre outros.

A implantação da Coleta Seletiva no Brasil ainda é incipiente. Como reconhecível nos dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, do IBGE, dados mais recentes mostram que este número vem se ampliando.

 

Sabia mais: Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil